À memória de Manuel Vázquez Montalbán e às suas <em>Historias de política-ficción</em>
John Bettencourt (Beta para os amigos) estava calmo e confiante no dia das eleições europeias. O seu trabalho ia finalmente começar a dar frutos e «eles» iam desaparecer do Parlamento Europeu. Primeiro passo para os reduzir a uma coisinha que nunca mais se teria que ter em consideração.
Beta era filho de açorianos emigrados nos EUA há mais de setenta anos e ele já tinha nascido aí, aí tinha estudado e depois aí tinha começado a trabalhar para a Transnational Intelectual Agency – a TIA – dedicada à luta pela liberdade e democracia, à semelhança dos EUA, como se sabe, pátria das duas coisas. Na prática a sua tarefa concreta era livrar Portugal «deles» como já tinham feito os seus colegas em tantos países da Europa, incluindo a de Leste, onde novos governos democráticos, livres e amigos já estavam no poder.
Sentia-se bem e, segundo costume antigo, não via nem ouvia sondagens nem declarações. Esperava que os seus amigos chegassem, por volta das dez da noite e lhe contassem tudo, naquela sua casa discreta e confortável da Lapa, a cem metros da residência oficial do seu embaixador em Portugal, com quem às vezes tinha algumas colisões sobre quem devia comandar as coisas. Tudo isto acontecia desde a saída do seu colega Frank que acumulava os dois cargos. Enfim, problemas entre Virginia e Washington que se iam resolvendo para bem de todos. No fundo era um pragmático.
Beta preparava-se para jantar. Sozinho. Sempre o fazia nestes dias especiais. Sentia que o dia ia ser grande para ele e tinha pensado bem no que comer esta noite. Assim, umas cinco horas antes tinha cortado em lâminas um bom tronco de garoupa na máquina de cortar fiambre. Depois espalhou-as num prato grande e raso sem se sobreporem. Cortou dois limões fresquíssimos e fez cair o sumo sobre o peixe para que tudo ficasse embebido mas não encharcado. Moeu um pouco de pimenta negra e sal sobre tudo isto e pôs no frigorífico. Agora os criados sabiam que tinham que espalhar umas bagas de pimenta rosa que ele próprio apanhava das pimenteiras que há em quase todo o Portugal. Finalmente regariam moderadamente com azeite virgem, daquele que conserva ainda um sabor ao fruto que lhe deu origem.
Para acompanhar tinha escolhido um branco fermentado em barrica de Valdeorras da província galega de Ourense, vinho filho da uva Godello, que em boa hora o seu colega de Madrid lhe aconselhou.
A seguir tinha disposto que lhe grelhassem um bom naco de vitela do Barroso, numa frigideira muito quente sem gordura de forma a que a carne ficasse tostada por fora e vermelha, mas não fria, por dentro. Só admitia sal e pimenta negra moídos antes de ser retirada do lume. Uns legumes cozidos, regados com um fio de azeite seriam o único acompanhamento.
Tinha aberto, uma hora antes, uma garrafa de tinto de Vale Meão, lá de dentro do Douro profundo.
Ao decidir isto, pensava sempre: «nada de coisas complicadas, só o essencial para ter o máximo sabor». No fundo era um gourmet.
Decidiu jantar.
Ainda no sofá uma jovem trouxe-lhe a sua garrafa de Manzanilla de San Lúcar de Barrameda, em Cádiz, muito fria, umas gambas frescas acabadas de grelhar e um pratinho de presunto e lombo de porco ibérico. Foi debicando, depenicando e debebendo e sentiu-se ainda melhor que antes.
Tocou a sineta e, já na mesa, serviram-lhe a garoupa e depois a carne, que como ele tinha previsto sabiam a tantas coisas belas e diferentes que justificavam todos os seus sacrifícios e maus momentos da vida e do trabalho.
Não era homem de doces, por isso, quando novamente tocou a sineta apareceu um prato com queijos: de Azeitão, de Serpa e de São Jorge (ah! A saudade herdada). Continuou com o Vale Meão e pão escuro. Sentia-se bem, leve e feliz. Admitiu que no fundo era um sibarita.
Quando pediu café a criada pareceu-lhe ainda mais bela e elegante que antes. Mas ele não era pessoa para confundir trabalho e divertimento.
Levantou-se, chegou à janela e viu as luzes que apareciam no Tejo. Eram quase dez horas e os seus amigos deviam estar a chegar. Acendeu um charuto cubano, um Pirâmide de Partagáz a que costumava chamar a sua única debilidade castrista. Encheu um copo de bagaceira branca da Brejoeira, de Monção, levemente fresca. Fechou os olhos para que aromas e sabores fossem os únicos protagonistas. No fundo era um sentimental.
Ouviu tocar e abrir a porta, chegavam com as notícias que esperava. Cinco importantes personagens da política e da informação vinham trazer-lhe as boas novas. Com um grande sorriso mandou-os sentar, ofereceu-lhes café, bebidas e abriu finalmente os ouvidos.
Disseram em alvoroço: «Eles» perderam, desceram em votos e percentagem! Os BÉES (como lhes chamavam) elegeram um deputado, o PS ganhou e o PSD-CDS perdeu muito. Achamos que é muito bom.
Beta sentiu pela primeira vez naquele dia uma ligeira inquietação: mas «eles» quantos elegeram? Responderam-lhe: dois, o terceiro não é provável, mas perderam votos! Beta alterou-se: Mas dois era o que «eles» tinham! ... e vocês ainda falam de três? Ainda por cima a terceira é a louca da Odete, que é capaz de pôr o Parlamento Europeu a fazer teatro de revista e o Grupo Popular Europeu a vir à Festa do Avante! É a isso que vocês chamam perder? Para que me serve que os BÉES tenham um? Para que me serve?!
Silêncio. Beta sentiu-se realmente mal. Disparatou: então é para isto que fazemos tantas sondagens, que pagamos tantos cartazes e propaganda, que «os» silenciamos nos jornais e na televisão, que alimentamos com o dinheiro dos contribuintes americanos tantos comentaristas e formadores de opinião? É para isto que pomos tantos ministros e altos cargos em tantos cargos altos? Que promovemos «novas esquerdas» e tantos críticos combatentes do estalinismo, do leninismo e não sei de que ismo mais?
E gritou: é para isto? Silêncio.
No meio da sua irritação, apesar de justificada, não se reconheceu a si próprio, homem habitualmente calmo e perseverante. Pensou: no fundo sou humano.
O café arrefeceu nas chávenas. Os whiskies de malte ficaram a meio. Os cigarros ardiam vertiginosamente. Beta falou: amanhã às cinco da tarde quero-vos todos aqui com ideias claras. Saltaram das cadeiras e um deles, como desculpa, ainda disse: mas Beta, ao fim e ao cabo é a decisão democrática do povo.
Nesse momento as últimas reservas de paciência do Beta saltaram pelos ares: mas o que é que o povo tem a ver com a democracia?! A democracia é o que sai dos vossos jornais, das vossas televisões, dos vossos governos, isso é que é a democracia! O que é que o povo tem a ver com isto?!?!
O director do canal «TP» – Televisão Plurilateral – não percebeu tudo, mas percebeu que tinha metido os pés e que isso lhe podia custar os três mil contos por mês que lhe dava o seu lugar de presidente do canal. Ficou preocupado, claro. No fundo tinha a família, o Porsche, e a Lili para sustentar.
Beta ficou sozinho. Admitia, tinha perdido outra vez. Reacendeu o charuto, encheu o copo e tentou pensar. Algumas coisas estavam claras: este Durão não era o que eles esperavam, era preciso telefonar para os chefes para que fosse colocado em qualquer sítio (honroso, claro), mas não podia ficar em Portugal. Na ONU parecia difícil, na NATO não o queriam, mas em Bruxelas parecia mais fácil. Isso, era isso, em Bruxelas parecia que mandava, mas não mandava nada e desaparecia daqui.
Além disso, para que servia um maoista que já não era maoista? Para nada. É como um comunista que vai para ex-comunista, já não é útil. Esta gente só é útil enquanto «os» atacam de dentro. Quando estão fora são mais um animal no estábulo que se tem que alimentar mas já é igual aos outros. Parou e voltou a pensar na sua teoria. Voltou a parecer-lhe correcta. Foi o primeiro sinal positivo desde que aqueles cinco inúteis tinham saído da sua casa. No fundo era um filósofo.
Mais calmo, a meio caminho entre o pensamento claro e a alegria da bagaceira, voltou a pensar que a única maneira de «os» destruir era a partir de dentro. Era preciso retomar os contactos, activar os movimentos dos «ex» que pudessem criar dúvidas, críticas, sizanha, chatices, complicações. Sabia que «eles» tinham que ter um congresso lá para o fim do ano, e até talvez mudar de Secretário Geral. Era o momento. Era preciso começar já amanhã. Apoiar este contra aquele, o Norte contra o Sul, os operários contra os intelectuais, os velhos contra os novos, tudo, todos contra todos.
Já estava a ver que, pela primeira vez, ia haver três ou quatro candidatos a Secretário Geral. Nada de programas, só imagem nos jornais e na televisão, entrevistas de uns contra outros na rádio. Já estava a ver o congresso «deles» com os delegados com camisas de diferentes cores conforme o candidato, palmas e assobios, uns a tirar o microfone aos outros, gritos «Manel! Manel!», «Jaquim! Jaquim!», «Tony! Tony!». Ah! E se fosse possível, algum altercado físico, alguma cadeira partida... E a televisão em directo durante todo o congresso, e as primeiras páginas dos jornais com a fotografia dum puto a apertar o gasganete dum velho ou vice-versa. Que maravilha!
Não era fácil, mas era o que ia fazer a partir da manhã seguinte.
Acendeu outro charuto, encheu de novo o copo e admitiu: no fundo era um sonhador.
Quando começava a fechar os olhos, como sonhador que era, ouviu em sonhos um telefone a tocar. Atendeu, era Washington: «Beta, I am George, you have saved democracy in Portugal. Let God bless you, my son» (Beta, sou George, salvaste a democracia em Portugal. Que Deus te abençoe, meu filho).
No fundo, delirava.
Sentia-se bem e, segundo costume antigo, não via nem ouvia sondagens nem declarações. Esperava que os seus amigos chegassem, por volta das dez da noite e lhe contassem tudo, naquela sua casa discreta e confortável da Lapa, a cem metros da residência oficial do seu embaixador em Portugal, com quem às vezes tinha algumas colisões sobre quem devia comandar as coisas. Tudo isto acontecia desde a saída do seu colega Frank que acumulava os dois cargos. Enfim, problemas entre Virginia e Washington que se iam resolvendo para bem de todos. No fundo era um pragmático.
Beta preparava-se para jantar. Sozinho. Sempre o fazia nestes dias especiais. Sentia que o dia ia ser grande para ele e tinha pensado bem no que comer esta noite. Assim, umas cinco horas antes tinha cortado em lâminas um bom tronco de garoupa na máquina de cortar fiambre. Depois espalhou-as num prato grande e raso sem se sobreporem. Cortou dois limões fresquíssimos e fez cair o sumo sobre o peixe para que tudo ficasse embebido mas não encharcado. Moeu um pouco de pimenta negra e sal sobre tudo isto e pôs no frigorífico. Agora os criados sabiam que tinham que espalhar umas bagas de pimenta rosa que ele próprio apanhava das pimenteiras que há em quase todo o Portugal. Finalmente regariam moderadamente com azeite virgem, daquele que conserva ainda um sabor ao fruto que lhe deu origem.
Para acompanhar tinha escolhido um branco fermentado em barrica de Valdeorras da província galega de Ourense, vinho filho da uva Godello, que em boa hora o seu colega de Madrid lhe aconselhou.
A seguir tinha disposto que lhe grelhassem um bom naco de vitela do Barroso, numa frigideira muito quente sem gordura de forma a que a carne ficasse tostada por fora e vermelha, mas não fria, por dentro. Só admitia sal e pimenta negra moídos antes de ser retirada do lume. Uns legumes cozidos, regados com um fio de azeite seriam o único acompanhamento.
Tinha aberto, uma hora antes, uma garrafa de tinto de Vale Meão, lá de dentro do Douro profundo.
Ao decidir isto, pensava sempre: «nada de coisas complicadas, só o essencial para ter o máximo sabor». No fundo era um gourmet.
Decidiu jantar.
Ainda no sofá uma jovem trouxe-lhe a sua garrafa de Manzanilla de San Lúcar de Barrameda, em Cádiz, muito fria, umas gambas frescas acabadas de grelhar e um pratinho de presunto e lombo de porco ibérico. Foi debicando, depenicando e debebendo e sentiu-se ainda melhor que antes.
Tocou a sineta e, já na mesa, serviram-lhe a garoupa e depois a carne, que como ele tinha previsto sabiam a tantas coisas belas e diferentes que justificavam todos os seus sacrifícios e maus momentos da vida e do trabalho.
Não era homem de doces, por isso, quando novamente tocou a sineta apareceu um prato com queijos: de Azeitão, de Serpa e de São Jorge (ah! A saudade herdada). Continuou com o Vale Meão e pão escuro. Sentia-se bem, leve e feliz. Admitiu que no fundo era um sibarita.
Quando pediu café a criada pareceu-lhe ainda mais bela e elegante que antes. Mas ele não era pessoa para confundir trabalho e divertimento.
Levantou-se, chegou à janela e viu as luzes que apareciam no Tejo. Eram quase dez horas e os seus amigos deviam estar a chegar. Acendeu um charuto cubano, um Pirâmide de Partagáz a que costumava chamar a sua única debilidade castrista. Encheu um copo de bagaceira branca da Brejoeira, de Monção, levemente fresca. Fechou os olhos para que aromas e sabores fossem os únicos protagonistas. No fundo era um sentimental.
Ouviu tocar e abrir a porta, chegavam com as notícias que esperava. Cinco importantes personagens da política e da informação vinham trazer-lhe as boas novas. Com um grande sorriso mandou-os sentar, ofereceu-lhes café, bebidas e abriu finalmente os ouvidos.
Disseram em alvoroço: «Eles» perderam, desceram em votos e percentagem! Os BÉES (como lhes chamavam) elegeram um deputado, o PS ganhou e o PSD-CDS perdeu muito. Achamos que é muito bom.
Beta sentiu pela primeira vez naquele dia uma ligeira inquietação: mas «eles» quantos elegeram? Responderam-lhe: dois, o terceiro não é provável, mas perderam votos! Beta alterou-se: Mas dois era o que «eles» tinham! ... e vocês ainda falam de três? Ainda por cima a terceira é a louca da Odete, que é capaz de pôr o Parlamento Europeu a fazer teatro de revista e o Grupo Popular Europeu a vir à Festa do Avante! É a isso que vocês chamam perder? Para que me serve que os BÉES tenham um? Para que me serve?!
Silêncio. Beta sentiu-se realmente mal. Disparatou: então é para isto que fazemos tantas sondagens, que pagamos tantos cartazes e propaganda, que «os» silenciamos nos jornais e na televisão, que alimentamos com o dinheiro dos contribuintes americanos tantos comentaristas e formadores de opinião? É para isto que pomos tantos ministros e altos cargos em tantos cargos altos? Que promovemos «novas esquerdas» e tantos críticos combatentes do estalinismo, do leninismo e não sei de que ismo mais?
E gritou: é para isto? Silêncio.
No meio da sua irritação, apesar de justificada, não se reconheceu a si próprio, homem habitualmente calmo e perseverante. Pensou: no fundo sou humano.
O café arrefeceu nas chávenas. Os whiskies de malte ficaram a meio. Os cigarros ardiam vertiginosamente. Beta falou: amanhã às cinco da tarde quero-vos todos aqui com ideias claras. Saltaram das cadeiras e um deles, como desculpa, ainda disse: mas Beta, ao fim e ao cabo é a decisão democrática do povo.
Nesse momento as últimas reservas de paciência do Beta saltaram pelos ares: mas o que é que o povo tem a ver com a democracia?! A democracia é o que sai dos vossos jornais, das vossas televisões, dos vossos governos, isso é que é a democracia! O que é que o povo tem a ver com isto?!?!
O director do canal «TP» – Televisão Plurilateral – não percebeu tudo, mas percebeu que tinha metido os pés e que isso lhe podia custar os três mil contos por mês que lhe dava o seu lugar de presidente do canal. Ficou preocupado, claro. No fundo tinha a família, o Porsche, e a Lili para sustentar.
Beta ficou sozinho. Admitia, tinha perdido outra vez. Reacendeu o charuto, encheu o copo e tentou pensar. Algumas coisas estavam claras: este Durão não era o que eles esperavam, era preciso telefonar para os chefes para que fosse colocado em qualquer sítio (honroso, claro), mas não podia ficar em Portugal. Na ONU parecia difícil, na NATO não o queriam, mas em Bruxelas parecia mais fácil. Isso, era isso, em Bruxelas parecia que mandava, mas não mandava nada e desaparecia daqui.
Além disso, para que servia um maoista que já não era maoista? Para nada. É como um comunista que vai para ex-comunista, já não é útil. Esta gente só é útil enquanto «os» atacam de dentro. Quando estão fora são mais um animal no estábulo que se tem que alimentar mas já é igual aos outros. Parou e voltou a pensar na sua teoria. Voltou a parecer-lhe correcta. Foi o primeiro sinal positivo desde que aqueles cinco inúteis tinham saído da sua casa. No fundo era um filósofo.
Mais calmo, a meio caminho entre o pensamento claro e a alegria da bagaceira, voltou a pensar que a única maneira de «os» destruir era a partir de dentro. Era preciso retomar os contactos, activar os movimentos dos «ex» que pudessem criar dúvidas, críticas, sizanha, chatices, complicações. Sabia que «eles» tinham que ter um congresso lá para o fim do ano, e até talvez mudar de Secretário Geral. Era o momento. Era preciso começar já amanhã. Apoiar este contra aquele, o Norte contra o Sul, os operários contra os intelectuais, os velhos contra os novos, tudo, todos contra todos.
Já estava a ver que, pela primeira vez, ia haver três ou quatro candidatos a Secretário Geral. Nada de programas, só imagem nos jornais e na televisão, entrevistas de uns contra outros na rádio. Já estava a ver o congresso «deles» com os delegados com camisas de diferentes cores conforme o candidato, palmas e assobios, uns a tirar o microfone aos outros, gritos «Manel! Manel!», «Jaquim! Jaquim!», «Tony! Tony!». Ah! E se fosse possível, algum altercado físico, alguma cadeira partida... E a televisão em directo durante todo o congresso, e as primeiras páginas dos jornais com a fotografia dum puto a apertar o gasganete dum velho ou vice-versa. Que maravilha!
Não era fácil, mas era o que ia fazer a partir da manhã seguinte.
Acendeu outro charuto, encheu de novo o copo e admitiu: no fundo era um sonhador.
Quando começava a fechar os olhos, como sonhador que era, ouviu em sonhos um telefone a tocar. Atendeu, era Washington: «Beta, I am George, you have saved democracy in Portugal. Let God bless you, my son» (Beta, sou George, salvaste a democracia em Portugal. Que Deus te abençoe, meu filho).
No fundo, delirava.